Mesmo abatidos pela lanterna no Estadual, ao serem questionados sobre o que fariam para fugir do rebaixamento, jogadores do Paulista de Jundiaí responderam: ''Qualquer coisa''.
''Até mesmo andar sobre cacos de vidro?'', questionou Olimar Tesser, 42 anos, especialista em hipnose e neurolinguística. ''Claro que sim.''
''Mas quando o Olimar abriu um tapete de cerca de dois metros e espalhou os cacos de vidro, pelo menos meia dúzia já deu uma titubeada. Diziam 'tô fora'. Inclusive eu'', conta o volante Rai, 25 anos.
No fim, seguindo os passos do treinador Wagner Lopes, que foi o primeiro a passar, os jogadores, um a um, percorreram o tapete.
''Quando vi os colegas, até fiquei mais animado, mas, quando chegou a minha vez, deu certo medo'', diz Rai.
As orientações, de maneira geral, eram para que os jogadores visualizassem, em um ponto distante no horizonte, um objetivo que quisessem muito alcançar, se concentrassem totalmente nele, caminhassem lentamente em sua direção, não olhassem para baixo ou pensassem nos cacos de vidro.
''Antes, para muitos jogadores, enfrentar Santos ou Corinthians era o mesmo que caminhar sobre os cacos de vidro, algo impossível'', compara o jogador do Galo.
Tesser iniciou seu trabalho no Paulista em 3 de março, véspera da partida com o Santos. A equipe, então última colocada no Estadual com oito pontos, foi batida, o que se repetiu nas duas partidas seguintes. Porém, os atletas, aos poucos, passaram a demonstrar nova atitude e buscaram a recuperação.
Esse foi apenas o cartão de apresentação de Tesser, que jogou futebol por Corinthians e Palmeiras como juvenil e, no profissionalismo, pelo Comercial, Botafogo-SP, Oeste, Grêmio, de Bagé, e Fluminense, de Minas.
Fonte:
Folha de S.Paulo






